segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Infertilidade masculina: Conceito e possibilidades de tratamento


"No passado se pensava que o responsável pela esterilidade era sempre a mulher. Hoje já se sabe que ela é responsável por apenas metade dos casos de casais que não conseguem ter filhos. A outra metade dos casos ocorre por problemas relacionados ao homem".

Introdução

Hoje se fala em esterilidade do casal, e apenas se pode considerar um casal como infértil quando ele não consegue ter filhos após tentar durante mais de um ano. Nestes casos, havendo interesse do casal, vários exames devem ser realizados tanto no homem quanto na mulher, numa tentativa de descobrir as possíveis causas e, a partir daí, quais as intervenções possíveis para que o casal gere filhos. Antes de tudo, deve-se lembrar que não apenas a freqüência, mas a oportunidade em que as relações sexuais ocorrem é importante, pois a fertilização ocorre apenas em um curto período de no máximo 72 horas em torno do momento da ovulação da mulher. Entretanto, inúmeros fatores estão relacionados aos mecanismos que regulam a ovulação, que pode inclusive ocorrer imediatamente antes ou após o período menstrual (este é o motivo pelo qual o método contraceptivo conhecido como "tabelinha" é considerado pouco seguro).

Causas de infertilidade no homem

As condições mais freqüentes associadas à infertilidade masculina podem ser divididas entre problemas na produção do espermatozóide e problemas no caminho destes espermatozóides até o óvulo.

No primeiro grupo estão doenças da hipófise, da tireóide ou da supra-renal (todas são glândulas que produzem hormônios necessários para a produção do espermatozóide); traumas ou problemas congênitos dos testículos; problemas provocados pelo uso de medicamentos, agrotóxicos ou irradiação do testículo; ou varicocele (varizes nas veias do testículo).

No segundo grupo estão os distúrbios de ejaculação, alguns distúrbios do sistema imunológico (que em alguns casos podem destruir os espermatozóides produzidos pelo próprio organismo), alterações congênitas ou cistos das vesículas seminais, obstruções por malformação congênita, por cirurgia de vasectomia, ou por cicatrizações de infecções no local e ejaculação retrógrada (que pode ser devido a acidentes ou, principalmente, a cirurgias da próstata).

Um homem anteriormente fértil pode se tornar estéril devido a doenças ou problemas ocorridos ao longo da vida. Além disso, o próprio envelhecimento provoca alterações que geram redução da produção de espermatozóides e de esperma, da mesma forma que ocorre com a mulher, na época conhecida como menopausa. Entretanto, a menopausa ocorre em torno dos 40 ou 50 anos, ao passo que a redução da fertilidade masculina ocorre a partir dos 70 anos de idade. Um detalhe deve ser colocado: é o fato de que os homens a partir desta idade não devem ser considerados inférteis, pois lhes é possível gerar um filho, uma vez que basta um único espermatozóide, desde que tenha forma e motilidade adequados, para fecundar um óvulo.

Considerações sobre a ejaculação e o esperma

A ereção peniana e a ejaculação são processos complexos que dependem da ação conjunta de diversas áreas do corpo humano. É necessário um bom funcionamento do cérebro, para sentir a excitação e comandar todo o processo, um bom funcionamento dos nervos responsáveis por transportar os estímulos e as ordens cerebrais envolvidos na ereção, uma produção adequada de hormônios (substâncias produzidas pelo organismo e que provocam algumas ações ou acontecimentos específicos no corpo humano), assim como uma integridade do tecido erétil do pênis (este tecido consiste de pequenos tubos, como uma rede de mangueiras, que normalmente permanecem vazias e murchas, e que se enchem de sangue durante a ereção, provocando o aumento verificado no pênis). Da mesma forma, é necessário que os vasos sanguíneos, canais que transportarão o sangue até este tecido erétil, estejam funcionando bem. Outros fatores, como drogas, cigarro, álcool, excesso de exercício físico, ansiedade, stress, depressão e/ou alguns medicamentos também interferem neste processo, alterando de forma significativa o desempenho sexual do homem. Assim, mesmo que ele sinta desejo sexual, algumas vezes a ereção pode falhar por problemas com qualquer dos mecanismos relacionados acima.

O esperma é composto basicamente por secreções da vesícula seminal e da próstata. Os espermatozóides são responsáveis por apenas 1% da composição total do esperma, mas as outras secreções são necessárias para protegê-lo. Existe uma quantidade mínima de esperma ideal para neutralizar a acidez da vagina e, assim, impedir que os espermatozóides morram ao caminharem em direção ao útero. Por este motivo, um volume de ejaculação inferior a 1,5 ml pode ser insuficiente para provocar esta neutralização, prejudicando a fertilidade. Este volume pode estar reduzido por uma série de motivos, como o refluxo do esperma para a bexiga (ao invés de descer para o canal uretral), a vesículas seminais ausentes ou com problemas, deficiência de produção dos hormônios masculinos, que estimulam a produção do esperma. O volume elevado de esperma também pode prejudicar a fertilidade, pois havendo mais secreções da vesícula seminal e da próstata, a concentração de espermatozóides pode estar muito reduzida, prejudicando a fertilização.

A quantidade de esperma em cada ejaculação depende principalmente do tempo de abstinência entre 2 ejaculações. Pode variar de 1.5 a 5 ml após um período de 36 a 48 horas de abstinência. Dentro destes limites, não há interferência no grau de fertilidade.

O espermograma

O exame realizado para avaliar a qualidade do esperma (denominado sêmen) do homem é chamado espermograma. Neste exame, se avaliam o volume de esperma e a quantidade, a qualidade e a capacidade móvel dos espermatozóides nele contidos. Para realizá-lo, o homem deve permanecer durante 2 ou 3 dias em abstinência sexual. O volume mínimo a ser examinado é 2 ml. A concentração mínima necessária para ocorrer a fecundação é 20 milhões de espermatozóides por um mililitro de esperma. Quando o valor for inferior, a probabilidade de fertilização fica comprometida, mas a fecundação ainda pode ser realizada através das técnicas de beneficiamento de sêmen e de fertilização assistida.

Tratamentos

Através das técnicas de fertilização assistida, usando beneficiamento de sêmen, inseminação artificial, fertilização in vitro ou Injeção Intracitoplasmática de Esperma (ICSI), os problemas de infertilidade masculina ficam praticamente todos resolvidos. Mas o que quer dizer tudo isso? Explicando de forma simples:

· Beneficiamento de sêmen: é a técnica usada para selecionar os melhores espermatozóides, que serão usados na fecundação. É como se você colocasse os espermatozóides para apostar uma corrida (colocando o esperma em uma bacia com água) e selecionasse para a fecundação apenas aqueles que chegassem em primeiro lugar.

· Inseminação artificial: é a colocação do sêmen (selecionado pelo beneficiamento) dentro do útero da mulher, durante o seu período fértil. Para isto, a mulher não pode ter ligadura de trompas nem problemas com a produção de óvulos, pois estes devem estar possibilitados a chegar até o útero e a se encontrarem com os espermatozóides.

· Fertilização in vitro: conhecida como "bebê de proveta" . Nesta técnica, o médico coloca o sêmen em contato com o óvulo dentro de um tubo de vidro, no laboratório, sendo aí realizada a fecundação. Após já ter sido fecundado, o óvulo é recolocado dentro do útero da mulher.

· ICSI: esta é a técnica mais cara e complicada, realizada nos casos graves, de homens com esperma excessivamente pobre em espermatozóides. Neste caso, o médico insere o espermatozóide dentro do óvulo, utilizando um microscópio. Estes espermatozóides podem ser obtidos por aspiração do local no testículo no qual os espermas ficam armazenados, ou até mesmo por uma biópsia do testículo. Após a fecundação, o óvulo é recolocado dentro do útero, como na fertilização in vitro. É devido a esta última técnica que o homem só é realmente estéril quando há ausência total de espermatozóides no sêmen.

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